ACERVO
Confira o que a diretoria e associadas da ANAJUDH estão produzindo:

  • Caio Mario Moreira Nt.

As entidades signatárias, atuantes no campo do direito à educação, comprometidas com a democracia e contrárias a iniciativas autoritárias em ambientes de ensino, vêm a público expressar indignação com o Projeto de Lei 543/2020, enviado pelo Governo do Estado do Paraná à Assembleia Legislativa. A proposta visa instituir o Programa Cívico-Militar na Rede Estadual da Educação Básica e está sendo apreciada em regime de urgência.


É inegável a necessidade de investimentos em educação básica, valorização da docência e melhora na qualidade de ensino. A proposição do governo estadual, contudo, não esclarece em que medida a presença militar em escolas de regiões socialmente vulnerabilizadas será capaz de avançar nesse sentido.


Preocupa que um assunto tão complexo não tenha resultado de diálogo com a sociedade civil, com as entidades representativas de professoras, professores e estudantes e com os órgãos colegiados que atuam na educação pública, e que pretenda ser aprovado em regime de urgência. Além disso, não se justifica aprovar Lei Estadual sobre educação básica durante um momento tão excepcional como a crise sanitária contemporânea, sem quaisquer propostas de investimentos para aspectos mais urgentes para o ensino, como pesquisa e planejamento de medidas para um gradual e seguro retorno às aulas presenciais.


Ao contrário do que a proposta legislativa defende perseguir, não há evidências que permitam sustentar ser positiva a presença militar em colégios das periferias das cidades paranaenses. Ao contrário, uma escola que adote a disciplina militar e a obediência hierárquica irrefletida como valores orientadores da gestão pedagógica certamente causa efeitos nocivos à liberdade de cátedra, à diversidade, ao pensamento crítico e, consequentemente, à educação democrática.


A experiência desse modelo escolar em outros estados já demonstra prejuízos ao cotidiano de corpos discente e docente, como padrão estético restrito mesmo fora do ambiente escolar, proibição de relacionamentos afetivos entre estudantes e intensa limitação da liberdade de expressão dentro e fora da escola, com previsão de penalidades administrativas em caso de descumprimento. A Procuradoria Federal para os Direitos do Cidadão na Bahia noticiou estes fatos em recomendação 04/2019/PRDC/BA/MPF, na qual recomenda a imediata abstenção de tais práticas e mesmo a suspensão de novos convênios que resultem na aplicação da metodologia militarizada em escolas públicas daquele estado.


Cabe destacar, finalmente, que a proposta legislativa fere princípios constitucionais caros ao Estado Democrático de Direito brasileiro, como a liberdade de expressão e de cátedra, o pluralismo de ideias e concepções pedagógicas, a inviolabilidade da intimidade e da vida privada, o respeito aos direitos humanos e a gestão democrática da escola.


Neste sentido, esperamos que a Assembleia Legislativa paranaense afaste a iniciativa e promova o necessário diálogo destas e das demais entidades envolvidas com a temática para a melhor compreensão das pretensões do Projeto de Lei 543/2020.


Curitiba, 21 de setembro de 2021.


ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JURISTAS PELOS DIREITOS HUMANOS LGBTI – ANAJUDH

AÇÃO EDUCATIVA

CAMPANHA NACIONAL PELO DIREITO À EDUCAÇÃO

PLATAFORMA BRASILEIRA DE DIREITOS HUMANOS – DHESCA BRASIL

TERRA DE DIRETOS – ORGANIZAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS

APP - SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO PÚBLICA DO PARANÁ

REDE ESCOLA PÚBLICA E UNIVERSIDADE – REPU

JUSTIÇA GLOBAL

CENTRO DE ESTUDOS EDUCAÇÃO E SOCIEDADE – CEDES

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUCAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇAO - ANPED

GRUPO DIGNIDADE – PELA CIDADANIA DE GAYS, LÉSBICAS E TRANS

ALIANÇA NACIONAL LGBTI+

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PESQUISA EM FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO – FINEDUCA

INSTITUTO BRASILEIRA TRANS DE EDUCAÇÃO - IBTE

CONSELHO PERMANENTE EM DIREITOS HUMANOS NO ESTADO DO PARANÁ - COPED

LIGA BRASILEIRA DE LÉSBICAS - LBL

REDE NACIONAL DE ATIVISTAS E PESQUISADORAS LÉSBICAS E BISSEXUAIS - REDE LÉSBI BRASIL

NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM DIVERSIDADE SEXUAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MARINGÁ – NUDISEX

COMITÊ LATINO-AMERICANO E DO CARIBE PARA A DEFESA DOS DIREITOS DA MULHER – CLADEM BRASIL

CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO - CNTE

FÓRUM POPULAR DE EDUCAÇÃO - FEPE/PR

SINDICATO DOS SERVIDORES DO MAGISTÉRIO MUNICIPAL DE ARAUCÁRIA - SISMMAR

FÓRUM PARANAENSE DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

OBSERVATÓRIO DO ENSINO MÉDIO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

SINDICATO NACIONAL DOS DOCENTES DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR – ANDES

CENTRO DE DEFESA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE - CEDECA CEARÁ

TRANSGRUPO MARCELA PRADO - TMP

  • Caio Mario Moreira Nt.

A membra da ANAJUDH, Andressa Regina, em celebração ao Dia Nacional do Orgulho Lésbico, nos conta em vídeo sobre este marco feminino contra a repressão e pelos direitos das mulheres lésbicas, que colocou o dia 19 de Agosto como Dia Nacional do Orgulho Lésbico.


  • Caio Mario Moreira Nt.

SEMANA DECISIVA PARA A EDUCAÇÃO:      FUNDEB E ESCOLA SEM PARTIDO EM PAUTA


Articulação de sociedade civil lança publicamente vídeo com mensagem às Ministras e Ministros do STF sobre julgamento de ações referentes ao Escola Sem Partido e manifesta solidariedade em caso de menina de dez anos estuprada pelo tio. 


A semana que começa tem duas votações importantes para a política de educação no Brasil. O Senado deve votar em plenário no dia 20 a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 26/2020 que torna permanente o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal (STF) conclui até sexta-feira, dia 21, o julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADI) 5537, 5580 e 6038 que questionam a constitucionalidade da Lei Escola Livre de Alagoas, única lei estadual nos moldes do Escola Sem Partido. Além das ADIs, o STF julga também as Arguições de Descumprimento de Direito Fundamental (ADPFs) 461, 465 e 600. As três ADPFs se referem a legislações dos municípios de Paranaguá, Blumenau e Londrina que proíbem o debate sobre gênero e sexualidade nas escolas e têm como relator o ministro Barroso. 

“Mesmo diante de tantos ataques, vemos que o movimento de defesa de uma educação pública de qualidade está articulado e pode ter conquistas importantes. A valorização dos profissionais de educação é um elemento central dessas duas frentes de luta: na garantia de mais recursos para educação pública por meio de um Fundeb com CAQ e no reconhecimento da inconstitucionalidade de iniciativas que criminalizam e perseguem professoras e professores”, afirma Denise Carreira, membro da Rede de Ativistas pela Educação do Fundo Malala e coordenadora institucional da ONG Ação Educativa, entidade que coordena uma articulação  que vem atuando pela liberdade de cátedra nas escolas.

Para que o Supremo Tribunal Federal se posicione pela inconstitucionalidade de todas as leis inspiradas no movimento Escola Sem Partido, a articulação lança hoje um vídeo com mensagens de seus integrantes aos Ministros e às Ministras do Tribunal pedindo para que julguem inconstitucional todas as ações que tratam da matéria.

>> ASSISTA AQUI O VÍDEO DA ARTICULAÇÃO



A articulação é constituída pelas seguintes organizações e redes de sociedade civil: Ação Educativa, Artigo 19, Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas (ABRAFH), Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT), Associação Mães pela Diversidade, Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED), Associação Nacional de Política e Administração de Educação, Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (ANCED), Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), Associação Nacional de Juristas pelos Direitos Humanos LGBTI (ANAJUDH), Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (CEDECA Ceará), Centro de Estudos Educação e Sociedade (CEDES), Cidade Escola Aprendiz, Comitê da América Latina e do Caribe para a Defesa dos Direitos das Mulheres (CLADEM Brasil), Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA), Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação (CEPIA), Conectas Direitos Humanos, Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Confederação Nacional dos Trabalhadores dos Estabelecimentos em Educação (CONTEE), Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, Frente Nacional Escola Sem Mordaça, Geledés – Instituto da Mulher Negra, Grupo de Advogados pela Diversidade Sexual e de Gênero (GADvS), Instituto Alana, Instituto Brasileiro de Direito da Família (IBDFAM), Instituto Maria da Penha, Movimento Educação Democrática, Open Society Justice Initiative, Plataforma de Direitos Humanos – Dhesca Brasil, Projeto Liberdade, Rede Nacional de Religiões Afro-brasileiras e Saúde (RENAFRO), Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições do Ensino Superior (ANDES-SN), THEMIS – Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero, União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação (UNCME), Associação TAMO JUNTAS – Assessoria Jurídica Gratuita para Mulheres Vítimas de Violência. Parte dessas entidades foi admitida como Amicus Curiae (Amigos da Corte) em várias das ações em julgamento no STF.

As entidades também manifestam solidariedade à menina de dez anos estuprada pelo tio no Espírito Santo e apoio à família, ao juiz, ao promotor e aos profissionais de saúde que atuaram para garantir o direito da criança ao aborto legal. Grupos fundamentalistas religiosos vêm perseguindo a família e os profissionais vinculados ao caso. As entidades destacam que o Supremo Tribunal Federal decidiu por unanimidade em julgamentos recentes - sobre ações vinculadas ao movimento Escola Sem Partido - que abordar gênero e sexualidade em escolas é dever do Estado brasileiro como forma de proteger crianças, adolescentes e mulheres contra a violência sexual, como previsto no Estatuto da Criança e Adolescente (ECA/1990) e na Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2016).


ESCOLA SEM PARTIDO

O STF iniciou na última sexta-feira (14/8) o julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) que questionam a Lei Escola Livre de Alagoas (ADIs 5537, 5580 e 6038). Sancionada em 2016, a lei está suspensa desde 2017 por decisão liminar do ministro Roberto Barroso, relator da matéria. A Lei nº 7.800/2016 vedava o que chamou de “doutrinação ideológica” por parte do corpo docente ou da administração escolar. Devido ao caráter vago dessa classificação, que poderia levar a perseguições e ataques aos profissionais da educação, foram abertas três Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs), pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT). As duas últimas foram apensadas à primeira.

"Só pode ensinar a liberdade quem dispõe de liberdade. Só pode provocar o pensamento crítico, quem pode igualmente proferir um pensamento crítico", afirma Barroso no voto que abriu o julgamento na sexta-feira.

Para o ministro lei viola o direito à educação, já que este é indissociável do pluralismo de ideias. Segundo ele, a concepção de neutralidade, é “altamente questionável” porque todas as pessoas são produto de suas vivências, ressaltando que a própria lei “parte de preferências políticas e ideológicas”. Ao não definir o que seria a doutrinação, a lei serviria justamente “à finalidade inversa: a imposição ideológica e a perseguição dos que dela divergem”.

PRECEDENTES

O julgamento se segue a uma série de decisões em que o Supremo Tribunal Federal invalidou com unânimidade leis municipais que proibiam a abordagem da temática de gênero e orientação sexual em escolas. Até o momento, quatro legislações foram analisadas (ADPF 526, 467, 460, 457) e os ministros foram unânimes em afirmar que diversos princípios constitucionais, como a liberdade de expressão e o combate às desigualdades.

Em seu voto na ação sobre a legislação em Cascavel (PR), o ministro Luiz Fux afirmou que “A proibição genérica de determinado conteúdo, supostamente doutrinador ou proselitista, desvaloriza o professor, gera perseguições no ambiente escolar, compromete o pluralismo de ideias, esfria o debate democrático e prestigia perspectivas hegemônicas por vezes sectárias”.

Esses precedentes – assim como a liminar em que o ministro Barroso suspendeu a Lei Escola Livre – aumentam as expectativas em relação ao julgamento desta semana. A decisão do STF tem caráter vinculante, valendo não só para o caso específico, mas mostrando o posicionamento da corte mais alta do país em relação a todas as leis similares. Dessa forma, trata-se de um julgamento crucial para a educação brasileira. É por essa razão que a articulação de organizações e redes de direitos humanos tem atuado junto ao STF contra a censura nas escolas. As entidades enviaram subsídios e um vídeo à corte argumentando como a censura prejudica a efetivação do direito à educação, à liberdade religiosa, direitos das crianças e adolescentes, de mulheres e pessoas LGBT, da população negra e ataca a democracia de forma geral.

>> Veja a mensagem em vídeo de entidades e redes de direitos humanos ao STF

>> Saiba mais sobre os julgamentos anteriores

FUNDEB PRA VALER É FUNDEB COM CAQ

Organizações de direitos humanos também têm engrossado mobilizações em torno da votação no Senado da PEC do Fundeb. A principal demanda é manter o texto aprovado pela Câmara dos Deputados, considerado por especialistas um avanço para a garantia das condições de funcionamento de creches e escolas.

Além de tornar o Fundo permanente, a proposta amplia a complementação da União no financiamento da educação de 10% para 23% e incorpora o Custo Aluno-Qualidade (CAQ), mecanismo que permite o cálculo dos insumos necessários para o bom funcionamento de todas as escolas. 

A Ação Educativa, em parceria com a Campanha Nacional pelo Direito à Educação e a Oxfam Brasil, lançou a campanha “Quero um #FundebPraValer”, que tem buscado mobilizar a sociedade e esclarecer interpretações equivocadas sobre as mudanças defendidas no Fundeb. A petição, que já tem mais de 14 mil assinaturas, ressalta a importância dos avanços conquistados no texto para a superação das desigualdades educacionais no país.

>> Acesse aqui a petição por um #FundebPraValer

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