• Caio Mario Moreira Nt.

Entre outr@s

Atualizado: Abr 29

A ANAJUDH-LGBTI apresenta seu novo quadro, “Entre outr@s”, do recém lançado canal no YouTube, através de uma discussão extremamente relevante em tempos de pandemia global: a biopolítica.

Esse conceito, que ganhou notoriedade acadêmica principalmente a partir da obra de Michel Foucault, ganha centralidade no momento contemporâneo. É que a biopolítica, como o autor nos traz, é exatamente a gestão governamental dos processos biológicos de uma determinada população, a qual se evidencia em tempos de pandemia, na qual é preciso preocupar-se especialmente com o aspecto mais biológico da vida humana enquanto espécie.

Como nos traz o autor “agora é sobre a vida e ao longo de todo o seu desenrolar que o poder estabelece seus pontos de fixação”, de forma que “o velho direito de causar a morte ou deixar viver foi substituído por um poder de causar a vida ou devolver à morte”.

Que o Estado Moderno se ocupe da vida (no sentido biológico) como um de seus assuntos políticos mais relevantes, pode não parecer muito perturbador. Mas surge necessária a reflexão sobre os efeitos desse ocupar-se da vida e, principalmente, sobre que vida é essa da qual se ocupa.

Se a princípio a biopolítica nos visa naquilo que temos de mais salutar em nossa humanidade (nossa exposição à morte, que exige uma interferência constante que dela nos afaste), por outro lado ela funciona através de uma série de clivagens, que produzem nessa “espécie” mais geral aquilo que Foucault chamará população.

Em momentos como o que estamos vivendo, algumas clivagens se evidenciam: grupos de risco, pessoas idosas, pessoas com doenças pulmonares prévias. Elas podem ter o sentido de maior proteção, mas podem também assumir outros aspectos; como já tem acontecido ao redor do Globo, podem significar escolhas sobre quem deixar morrer e quem procurar salvar, tendo em vista a inexistência de recursos para salvar a todos.

Como esse poder faz essas escolhas? Como um poder que busca a promoção da vida pode, paradoxalmente, deliberadamente devolver à morte “parcelas” dessa espécie?

Esses temas são abordados nesta entrevista, pela e pelo excelentes pesquisadores convidados. Aborda-se ainda mais: que espaço há para a biopolítica em tempos “normais”, ou seja, não pandêmicos? Seria essa uma tecnologia do poder que só se ativa diante da doença?

Para pensar esses temas e seus impactos na comunidade LGBTI e seus direitos, bem como na sociedade como um todo, a ANAJUDH-LGBTI convidou ao debate a Professora Doutora Angela Machado Fonseca, mestra em filosofia e doutora em filosofia do direito pela Universidade Federal do Paraná, hoje professora efetiva do curso de Direito da instituição.

Convidou também o Professor Dhyego Câmara de Araújo, mestre em Direito do Estado e hoje doutorando em Direito do Estado pela Universidade Federal do Paraná, professor substituto da Universidade Estadual de Ponta Grossa.

Dialogam com a Professora Andressa Regina Bissolotti dos Santos, mestra em Direitos Humanos e Democracia e doutoranda também em Direitos Humanos e Democracia pela Universidade Federal do Paraná, além de professora substituta da Universidade Estadual de Maringá, da Faculdade de Pinhais e defensora de Direitos Humanos integrante da ANAJUDH-LGBTI.

O resultado foi uma conversa rica de reflexões, que pode colaborar na difícil, mas urgente tarefa de pensar o presente.



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